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Travessia.


Talvez eu só carecesse atravessar o infinito em mim para perceber que “nós” seríamos  uma real possibilidade. Talvez precisasse que o(s) nós existissem para aprender a contemplar ‘coisas mais lindas'. Talvez, com o tempo, a tua chegada me permitisse ver um pouco além do que os olhos podem vê. 
Tudo bem simples: você chegou sem avisar e como tem sido bom ver você, meu menino gigante, derrubar calidamente  os advérbios e a dúvida.
É mais ou menos isso: Todo dia como se fosse à primeira vez. Mais que de repente despertamos do choque e abraçamos a realidade: Impossibilidade são para aqueles que mantém olhos semi-aberto.
A gente não se encontrou. Não se imaginou. Não se quis... Apenas aconteceu.
Brincamos com o refrão(em vão)a cada antemanhã: "Tire seus olhos dos meus,eu não quero me apaixonar".A alvorada raiou e não é paixão: É porque tens olhos assim!
Calmamente, se fez a exceção.De todos os meus não, dentre todas as minhas impossibilidades,entre todos os quereres não queridos...
Ainda acordo com o teu bom dia  como um quê de cosquinha no coração; é que   não é sonho, conto de fada, nem começou fadado ao final feliz e tem sabor de realidade degustada em cada manhã, depois do orvalho de risos misturado com brincadeira e seriedade.Vivemos do "faz de conta" ao "faz acontecer".
Procuro ainda explicação para a mágica que move vidas [entrecortadas meio-sem-querer] a decisão de aproximarem os oceanos de  si para alcançar mistérios, aventuras e desafios de  nascentes à nascente solares.
Falar em mágica é revelar todo exagero que tua presença desperta, então vou simplificar; eis a reação química que desencadeou coração acelerado e disposto a atração e relação.
Um olhar, o cuidado, tantas conversas. Dei-lhe um  beliscão(constatada autenticidade) e  conquistou o direito a receber incontáveis beijos nas  prolongadas madrugadas.
E os meus  dias seguem assim: aperto um 'tantão' de coisas pra caber mais de você aqui. Traz os  sabores, as novidade, as cores   e temos os ingredientes da invenção de nós dois. Sabe que é?! Não quero traçar futuros irrealizáveis.Vem, atravessa o peito meu, porque quero você:presente contínuo a embalar meus sorrisos mais que subjetivos.






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Margens.


Inverno  com uma  neblina intensa a embaçar olhares. Aguardavam que os primeiros raios solares trouxessem visões cálidas. O incógnito frio tocava-lhes a pele, sentiam uma febre terçã. 
No auge do delírio despertou-os sentir: Eis, permanecer no devido lugar ou ousar tatear contornos desconhecido, a elucidação. Vislumbres outrora inexistentes.
Iniciaram um caminhar e colocaram-se meticulosamente dispostos a [na] margem.
Todos os não possíveis estavam contidos ali; tudo que outrora significava improvável, todos os não previamente planejados, toda certeza que não estaria  atrelada a um pretérito imperfeito: E se Tocássemos? 
Todos os  não-eu que instituía o não nó(s) se desfaria; e o enlaçar-se estaria posto.
 Desafiador era contemplar a imagem que perpassavam sobre a superfície cristalizada, o reflexo estendido sobre a vastidão do estado fluído. Contraditoriamente, não cabiam ali mutações. Muito poderia se liquidificar ou solidificar. Mas, pra quem romper com o poder de  permanecer  disforme?
 Naquele cenário aramado por mudanças, por seres transitório , um sentimento  de permanência atrelava os olhos à imagem refletida. Era o desejo de solidificar que mantinha a magia do entrever, do desnudar, do não vê. Não ousariam quebrar o cristal aquático formado a sua frente.
Viam com intensidade, deliciavam-se com as particularidades que poderiam ser percebidas no tremeluzir do olhar. Segredos guardados nas margens hão de durar eternidade. 
Ele olhava, ela também. Observavam nos olhos refletidos n'água o tecer do esquadro misterioso e atrativo. Olhares que se encontram pelo meio do caminho são perigosamente insaciáveis.
E ali na margem de nós, onde a primeira pessoa do plural não existe, emerge a imagem de si. E assim  eu vejo você em mim.

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Doces faltas minhas.


Abrir os olhos do outro lado.
E uma brisa fria me envolveu revelando: és bem vinda.
Olhei em volta e nada era familiar, reconhecível, nada era meu.
Mas todas as paisagens tinham traços: aqui também é o seu lugar
Andei por ruas desconhecidas, falei com pessoas desconhecidas...
Vi cenas que se descobriram aos meus olhos.
Acordei.
E tudo estava lá novo, com gosto de desafio e descoberta.
Mas falta tanta coisa por aqui.
Falta meus sorvetes com bolo, falta minhas conversas pelo celular altas madrugadas, falta meu cinema regado a ovomaltine, falta risadas na madrugada a lá trajes de dormi, falta um olhar cúmplice, um sorriso sarcástico, uma sobrancelha irônica.
Falta um ar de medo que pede coragem, falta um sonho que precisa de fé, falta ouvir: sua linda quando se estiver com a cara mais amassada do mundo, falta se sentir ajudando e não ajudada.
Falta ser suporte,falta estar no lugar certo na hora certa.
Falta a manhã mais bonita, falta ri de si mesma.
E foi assim que descobri que a vida é repleta de faltas, que não são substituídas, não são aplacadas, não são diminuídas, não são completadas.
Porque sou assim uma cumbuca repleta de faltas.Minhas faltas lindas, lindos, que não estão aqui e agora, mas que estão.
Que dizem: Sinto sua falta!
E nem sabem que são as minhas faltas mais preciosas. Porque sou feita de faltas e incompletudes. De vazios cheios de carinho. De risos que leio e minha memória ouve.
Porque como diz TM: “Enquanto houver você(s) do outro lado, aqui do outro não consigo me orientar.”
E eu desperto de cima e uma pedra bem alta e ouço vozes de anjos que me dizem: Segue em frente e mantém as mãos nos laços que o tempo fez. Porque é laço e nunca nó.

* Não é um texto. É  a junção de sentir em 20 dias.

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O tempo e sua brincadeiras:




Ontem tínhamos certezas do amanhã.

E na roda viva, íamos girando expectativas.

Mas o hoje vem e lança a peteca das

 incertezas bem na mão do amanhã...

E a hora da brincadeira acabou!

Já pra dentro de si.



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Alone.



















Das reminiscências construí dunas, mas o estiranço nada deixou no lugar...
Oxalá fosse métier desenhista. 
E delineasse os contornos inacabados em meus sentimentos...
Ou como um paleógrafo insistente, desvendasse os sinais grafados em meu coração.
Ah! Se fosse tu um carpinteiro e esculpisse em meus lábios tua melhor obra...
Mas, és marinheiro e neste vasto mar, navegas para longe de mim..
E eu?
Apenas ancoradouro em solidão.

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